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Durante muitos anos, uma das maiores batalhas das empresas na internet foi aparecer no Google. Depois vieram as redes sociais, o YouTube, o TikTok, os marketplaces.

Toda vez que o comportamento das pessoas muda, surge um novo lugar onde empresas precisam disputar atenção.

Agora, talvez estejamos entrando em mais uma dessas mudanças. E ela pode ser muito maior do que parece.

Nesta semana, Renato Franklin, CEO do Grupo Casas Bahia, afirmou que a empresa está se preparando para vender por meio do ChatGPT. A declaração foi dada em meio a uma transformação tecnológica que já acontece dentro da própria varejista, que vem usando inteligência artificial em diferentes partes da operação.

Mas o mais importante dessa notícia não é a Casas Bahia.

Também não é o ChatGPT.

É a mudança de comportamento que existe por trás disso.

Pense em como você compra alguma coisa hoje. Vamos imaginar que você queira uma televisão nova.

Talvez você abra o Google e pesquise “melhor TV 65 polegadas 2026”. Depois entra em alguns sites, assiste a dois vídeos no YouTube, abre Amazon, Mercado Livre, Casas Bahia, Magalu, compara modelos, lê avaliações, abre quinze abas e, depois de algum tempo, já nem lembra direito qual televisão estava comparando com qual.

Quem nunca?

Agora imagine outro cenário.

Você abre uma inteligência artificial e escreve:

“Quero uma TV de 65 polegadas para colocar na minha sala. Ela fica a uns três metros do sofá, pega bastante claridade durante o dia e eu assisto principalmente futebol e Netflix. Quero gastar no máximo R$ 5 mil. Qual você compraria?”

A IA pode entender sua necessidade, procurar produtos, comparar especificações, preços, avaliações e apresentar algumas opções.

Você pergunta qual delas tem a melhor imagem para futebol. Ela reduz a lista. Pergunta qual tem o melhor custo-benefício. Ela compara novamente. Quer saber se uma delas cabe no seu painel? Você manda uma foto.

A conversa continua.

Percebe o que mudou?

Você não está mais procurando produtos.

Você está pedindo ajuda para decidir.

Essa diferença parece pequena, mas não é.

A própria OpenAI afirma que cada vez mais pessoas começam suas jornadas de compra no ChatGPT para explorar produtos, comparar alternativas e decidir o que comprar. A empresa vem investindo justamente em tornar essa experiência mais visual, com comparação de produtos, preços, avaliações e características dentro da conversa.

Hoje existe uma ressalva importante. A OpenAI chegou a testar compras concluídas diretamente dentro do ChatGPT, mas mudou sua estratégia e atualmente está priorizando a descoberta e recomendação de produtos dentro da IA, enquanto a compra é finalizada no site ou aplicativo da própria loja.

Mas, sinceramente, ficar discutindo se o botão final de pagamento estará dentro ou fora do ChatGPT é olhar para a parte menos importante da mudança.

Porque a venda pode até terminar no seu site.

A decisão talvez não aconteça mais lá.

E isso muda muita coisa.

Durante décadas, empresas investiram bilhões para influenciar aquilo que aparecia na frente do consumidor. Primeiro nas vitrines, depois na televisão, no Google, nas redes sociais e nos marketplaces.

Agora surge um novo intermediário: a inteligência artificial.

E esse intermediário não precisa apresentar cem opções para você escolher. Ele pode apresentar três. Talvez cinco. Em alguns casos, uma.

Aqui começa uma questão que acredito que muitos empresários ainda não perceberam.

Seu próximo concorrente pode não ser apenas a empresa que aparece acima de você no Google.

Pode ser a empresa que a inteligência artificial decide recomendar no seu lugar.

No Google, a empresa disputa o clique. No Instagram, disputa atenção. No marketplace, disputa preço, reputação e posicionamento.

Em uma IA, ela começa a disputar recomendação.

E recomendação exige informação.

Imagine que alguém pergunte:

“Qual é a melhor empresa de ar-condicionado perto de mim que instala ainda esta semana e oferece garantia?”

A inteligência artificial precisa descobrir quais empresas existem, onde atendem, quais serviços oferecem, se têm boa reputação, quais são seus diferenciais, disponibilidade, avaliações, prazo e garantia.

Se essas informações estão bagunçadas, desatualizadas ou simplesmente não existem de forma acessível, como a IA vai recomendar sua empresa?

Esse é o ponto que mais me interessa nessa história.

Durante muito tempo, ter presença digital significava ter um site. Depois significou estar no Google. Depois virou estar nas redes sociais.

Talvez agora comece uma nova fase:

sua empresa precisa ser compreensível para as inteligências artificiais.

A OpenAI, inclusive, já permite que lojistas compartilhem diretamente seus catálogos de produtos para melhorar a forma como eles aparecem nas recomendações do ChatGPT. Esses dados podem incluir imagens, preços, avaliações e outras informações atualizadas sobre os produtos.

Isso é muito relevante porque estamos começando a transformar inteligência artificial em canal de distribuição.

A Casas Bahia parece ter entendido esse movimento.

E não começou ontem.

A companhia já usa IA em diferentes partes da operação, criou ferramentas para apoiar vendedores, recomendações via WhatsApp e aplicações internas. Também vem ampliando sua presença fora dos próprios canais, entrando em outros ambientes de venda e distribuição.

Olhe para isso menos como uma notícia sobre uma grande varejista e mais como um sinal.

A empresa já vendia na loja. Foi para o site, aplicativo, marketplaces, WhatsApp.

Agora quer estar preparada para a era dos assistentes de IA.

Onde o cliente estiver, a venda precisa conseguir chegar.

É claro que uma pequena empresa não precisa amanhã contratar uma equipe de tecnologia e criar uma integração gigantesca com o ChatGPT.

Nem faria sentido.

Mas ela precisa começar a prestar atenção nessa mudança.

Porque existe uma pergunta interessante para qualquer negócio fazer hoje:

Se alguém pedir para uma inteligência artificial recomendar exatamente aquilo que minha empresa vende, ela vai encontrar minha empresa?

E, mais importante: terá motivos para recomendá-la?

Talvez sua empresa tenha o melhor produto da cidade. Talvez tenha o melhor atendimento, entregue mais rápido ou tenha vinte anos de mercado.

Só que, se nenhuma dessas informações estiver organizada, disponível e compreensível, existe um problema.

A IA não adivinha seu diferencial.

Da mesma forma que durante anos empresários precisaram aprender sobre site, Google, SEO, redes sociais e marketplaces, provavelmente teremos que aprender a preparar negócios para um mundo em que inteligências artificiais também participam da decisão de compra.

E isso começa antes de qualquer tecnologia sofisticada.

Começa com catálogo organizado, informações corretas, produtos bem descritos, preços atualizados, boa reputação, avaliações reais, políticas claras, estoque organizado, dados estruturados e processos capazes de receber o cliente quando ele chegar.

Porque não adianta uma IA mandar cem clientes para sua empresa se sua operação não consegue atender nenhum deles direito.

A tecnologia muda.

O fundamento continua.

No fim das contas, vender continua sendo resolver um problema melhor do que outra pessoa. O que muda é quem vai ajudar o consumidor a descobrir isso.

Durante muito tempo essa função foi do Google. Em outros momentos, foi do vendedor ou daquele amigo que entende muito de tecnologia e todo mundo consulta antes de comprar um celular.

Agora podemos estar colocando uma inteligência artificial nessa cadeira.

E eu prestaria muita atenção nisso.

Porque talvez a próxima grande mudança do comércio eletrônico não seja criar uma loja virtual melhor.

Talvez seja não precisar entrar em uma loja virtual para decidir o que comprar.

A compra ainda pode acontecer no site. O pagamento ainda pode acontecer no aplicativo. A entrega continuará chegando na sua casa.

Mas a escolha?

Essa pode começar, e talvez terminar, dentro de uma conversa.

Não é sobre colocar IA em tudo. É sobre colocar IA onde faz sentido.

Se você quer identificar onde a inteligência artificial pode reduzir custos, economizar tempo ou melhorar processos na sua empresa, converse com a BrosAI.

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